O que é acalasia? Entenda a doença que causa dificuldade para engolir
Postado em: 26/10/2026
A descrição que mais escuto de quem chega com essa doença é a do entalo. O alimento desce até certa altura e para, atrás do osso do peito.
A pessoa levanta da mesa, bebe água, caminha pela sala esperando passar. Com o tempo, ela aprende a comer devagar, corta a carne em pedaços minúsculos e evita jantar fora.
Quando finalmente procura um médico, já mudou a vida inteira em torno de um sintoma.
O que é acalasia?
A acalasia é uma doença do esôfago em que os neurônios responsáveis por coordenar a musculatura são perdidos.
Duas coisas deixam de funcionar: a onda que empurra o alimento para baixo e o relaxamento do esfíncter na entrada do estômago.
O resultado é um esôfago que não impulsiona e uma válvula que não abre no momento certo, o que retém alimento e líquido.
No Brasil, parte importante dos casos que eu atendo tem relação com a doença de Chagas, que destrói os mesmos plexos nervosos.
Há também a forma idiopática, sem causa identificada. A diferença entre as duas origens importa menos para o sintoma do paciente e mais para a investigação que eu peço junto.
Acalasia e megaesôfago são a mesma coisa?
Não exatamente. A acalasia é o distúrbio de motilidade. O megaesôfago é a consequência anatômica de anos desse distúrbio: o órgão dilata porque trabalha contra uma saída que não abre.
Alguém pode ter o distúrbio com esôfago de calibre normal, e outro paciente chega com dilatação avançada. O grau dessa dilatação pesa diretamente na conduta que eu proponho.
Os detalhes sobre indicação e técnica cirúrgica estão reunidos na página sobre acalasia e megaesôfago no aparelho digestivo.
Quais sintomas fazem eu suspeitar de acalasia na consulta?
Suspeito de acalasia quando o paciente relata dificuldade para engolir que começou com sólidos e progrediu para líquidos, regurgitação de comida sem sabor ácido, dor ou aperto atrás do esterno, tosse noturna e emagrecimento lento ao longo de meses.
A combinação de disfagia progressiva com regurgitação não ácida é o par que mais me orienta.
Muita gente chega com anos de tratamento para refluxo sem melhora. Faz sentido: a regurgitação existe, mas o conteúdo não vem do estômago, e sim do esôfago parado. Medicamento antiácido não corrige motilidade.
Quando alguém me diz que tomou inibidor de bomba por dois anos sem mudança nenhuma, essa frase vale um exame.
Qual exame confirma o diagnóstico?
O diagnóstico é confirmado pela manometria esofágica, que mede as pressões do esôfago e do esfíncter inferior e classifica o padrão da doença.
Antes dela, eu peço endoscopia digestiva alta para afastar tumor na transição entre esôfago e estômago, que pode simular o quadro.
O esofagograma contrastado complementa, mostrando o calibre e o afilamento na porção final.
A avaliação diagnóstica da acalásia publicada nos Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva descreve essa sequência e a classificação manométrica em uso.
Essa classificação não é detalhe acadêmico: ela influencia a escolha entre as opções de tratamento.
A acalasia tem cura?
Os tratamentos disponíveis aliviam a obstrução na saída do esôfago, mas não recuperam os neurônios já perdidos nem devolvem a onda de contração normal.
A cirurgia de Heller com fundoplicatura, realizada por videolaparoscopia ou por via robótica em casos selecionados, melhora a passagem do alimento em boa parte dos pacientes. O seguimento continua depois, porque a doença de base permanece.
Digo isso ao paciente na primeira consulta, e não depois da operação. Quem entra no centro cirúrgico esperando voltar a comer como aos vinte anos sai frustrado mesmo com um resultado técnico adequado.
A conversa sobre expectativa faz parte do tratamento, e eu a trato com o mesmo cuidado que dedico à condução cirúrgica das doenças do aparelho digestivo.
Quando procurar avaliação sem esperar?
Procure avaliação sem adiar quando a dificuldade para engolir progride de sólidos para líquidos, quando existe regurgitação noturna com tosse ou engasgo, quando há perda de peso involuntária ou episódios de pneumonia de repetição.
Engasgo durante o sono indica risco de aspiração para o pulmão, e esse quadro não deve ser acompanhado à distância.
Perguntas frequentes sobre acalasia
Acalasia é grave?
É uma doença crônica que compromete a alimentação e, sem tratamento, leva a dilatação progressiva do esôfago, desnutrição e risco de aspiração pulmonar. Tratada em tempo adequado, permite que a maioria dos pacientes recupere uma alimentação satisfatória. A gravidade depende do estágio em que o diagnóstico é feito.
Acalasia aumenta o risco de câncer de esôfago?
A literatura descreve risco aumentado de câncer de esôfago em pacientes com acalasia de longa evolução, especialmente nos casos com grande dilatação e estase prolongada. Por esse motivo, o acompanhamento endoscópico faz parte do seguimento, mesmo em quem já operou e está comendo bem.
Dá para tratar acalasia sem cirurgia?
Existem alternativas, como a dilatação pneumática por endoscopia e a aplicação de toxina botulínica, indicadas em situações específicas, incluindo pacientes sem condições clínicas para operar. O efeito tende a ser temporário e exige repetição. A escolha entre as opções depende do padrão manométrico, do grau de dilatação e das condições de cada paciente.
Avaliação de dificuldade para engolir com o Dr. João Bosco Chadu Junior
Atendo em Uberlândia, na Clínica Endovita, no Santa Mônica, e na Clínica UGC, no Jardim Karaíba.
Na consulta por disfagia, reviso o histórico completo, examino, analiso exames anteriores e defino quais investigações faltam, explicando o que cada uma responde e em que ordem elas devem ser feitas.
Dr. João Bosco Chadu Junior. CRM-MG 33556. RQE 21953 (Cirurgia do Aparelho Digestivo), RQE 21952 (Cirurgia Geral), RQE 35708 (Endoscopia), RQE 52445 (Cirurgia Bariátrica).
Mestrado em cirurgia minimamente invasiva, certificação em cirurgia robótica e supervisão da residência de cirurgia do aparelho digestivo no Hospital de Clínicas da UFU.
Se a comida trava no meio do peito e você já se acostumou a comer devagar para dar conta, marque uma consulta para investigar a causa da disfagia. Leve endoscopias, esofagogramas e manometrias que já tenha feito.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou a orientação de um profissional habilitado.
Dr. João Bosco Chadu Junior
Cirurgia do Aparelho Digestivo
Registro CRM: 33556/MG | RQE: 21953