A maioria das úlceras cicatriza com medicação e tratamento da infecção por H. pylori, quando presente. Esta página trata das situações em que o tratamento clínico não é suficiente e o caso passa a ter avaliação cirúrgica, um recorte que a maior parte do conteúdo disponível sobre úlcera não aborda.
Sintomas e por que a endoscopia com biópsia é indispensável
Dor ou queimação na boca do estômago, sensação de estômago cheio logo após comer e, em alguns casos, sangramento são sinais que levam à investigação. A endoscopia com biópsia confirma a úlcera, avalia sua extensão e descarta outras causas para os mesmos sintomas.
A biópsia também investiga a presença da bactéria H. pylori, principal causa da úlcera gástrica, e ajuda a definir o protocolo de tratamento clínico. Sem esse exame, o diagnóstico fica incompleto e o acompanhamento perde precisão.
Riscos de não tratar: perfuração, sangramento e estenose
Uma úlcera não tratada pode evoluir para perfuração, sangramento importante ou estreitamento (estenose) da saída do estômago. Dor abdominal súbita e intensa, vômito com sangue ou fezes escurecidas são sinais de alerta que exigem atendimento de urgência imediato.
Esses três desfechos representam a minoria dos casos, mas são a razão pela qual uma úlcera diagnosticada não deve ser tratada por conta própria nem abandonada no meio do tratamento, mesmo quando os sintomas melhoram antes da cicatrização completa.
Quando a úlcera exige cirurgia
A cirurgia entra em consideração quando a úlcera não cicatriza com o tratamento clínico, sangra de forma recorrente, perfura ou apresenta suspeita de malignidade. Fora dessas situações, o acompanhamento clínico costuma ser suficiente, sempre reavaliado por endoscopia.
Úlcera que não cicatriza: quando é preciso descartar câncer gástrico
Uma úlcera gástrica que não cicatriza após o tratamento adequado precisa ser reavaliada por endoscopia com nova biópsia, já que, em casos selecionados, essa persistência pode estar associada a câncer de estômago. Essa investigação evita que o diagnóstico correto demore a ser feito.
É por isso que a régua de acompanhamento da úlcera gástrica é mais rígida que a da úlcera duodenal: toda lesão gástrica precisa de confirmação de cicatrização por imagem, não apenas de melhora dos sintomas relatada pelo paciente.
O uso contínuo de anti-inflamatórios, o tabagismo e a infecção por H. pylori não tratada estão entre os fatores que dificultam a cicatrização da úlcera e aumentam a chance de recorrência, mesmo depois de um primeiro tratamento bem-sucedido.